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Planejando o futuro
Jacareí completa neste 3 de abril 356 anos. A exemplo de outras cidades tricentenárias do Vale do Paraíba, Jacareí acumula referências históricas nas mais diversas áreas. Não por acaso, a cidade também é referência por sediar o Museu de Arqueologia do Vale do Paraíba, reconhecido pelas mais importantes entidades do setor. Mas, a exemplo também de outras cidades históricas, Jacareí nasceu a partir de pequenos povoados. Com o passar do tempo, o crescimento e desenvolvimento da cidade acabou por ‘engolir’ o centro urbano, herdeiro de ruas estreitas e abertas sem planejamento – fato que se pode comprovar também em cidades como Taubaté, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, só para citar alguns exemplos aqui da região. Superar alguns obstáculos herdados, mas ao mesmo tempo preservar a história, é um desafio que se impôs naturalmente a Jacareí. Durante décadas, porém, a cidade cresceu sem absolutamente qualquer tipo de planejamento, o que agravou ainda mais os problemas – não apenas de infra-estrutura, mas de equipamentos e serviços, num desprezo pela cidade e, principalmente, por seus moradores. De sete anos para cá, porém, o que se pode comprovar é que a cidade ganhou uma Administração empenhada no planejamento urbano, com vistas à resolução dos problemas já existentes e na ordenação dos projetos futuros — entre outras ferramentas, desde 2003 Jacareí conta com o Plano Diretor de Ordenamento Territorial. Nestes últimos anos, passou-se a olhar a cidade de outra maneira, de uma forma multidisciplinar, com uma visível preocupação voltada para a organização ambiental e os processos sociais – a cidade é, por excelência, o espaço de convivência, onde se desenrolam as relações sociais, comerciais etc. Daí este esforço de compatibilização do desenvolvimento urbano com as relações interpessoais, este empenho em ordenar e harmonizar os elementos estáticos e dinâmicos da cidade. Todo este trabalho tem como objetivo, em última instância, garantir índices cada vez melhores de qualidade de vida dos habitantes de Jacareí. Isso implica, entre outras ações, “o uso da tecnologia em respeito às necessidades sociais, culturais, estéticas e econômicas da sociedade; no equilíbrio ecológico e no desenvolvimento sustentável dos ambientes natural e construído; na valorização e preservação da arquitetura, do urbanismo e da paisagem como patrimônio e responsabilidade coletiva. Qualquer planejamento, tendo esses parâmetros em vista, precisa necessariamente considerar a cidade como um organismo dinâmico — a cidade é o resultado de todo um contexto histórico e das inter-relações entre os diversos agentes que nela habitam, e não apenas e simplesmente um modelo ideal concebido por urbanistas. Devido a este dinamismo, explica-se porque a cidade real nunca será a mesma que a ‘cidade ideal’ – as aspirações pessoais devem sempre se coadunar com as aspirações culturais regionais e com as conseqüências naturais que daí advêm. Há menos de um século, as cidades brasileiras abrigavam 10% da população. Hoje, são mais de 80%. O fenômeno da urbanização em todo o país, possivelmente irreversível, se refletiu em âmbito local – ou melhor, o fenômeno local ganhou proporções globais. Somente tendo esses aspectos em vista, e essa abordagem multi e interdisciplinar, podemos efetivamente planejar o futuro e o crescimento da cidade. Jacareí pode, hoje, se orgulhar de contar com essa visão ampla, multidisciplinar e abrangente, considerando todas as peculiaridades inerentes à diversidade de seus moradores. E se orgulhar, enfim, de ter a certeza de que está preparada para continuar a participar dessa história, rumo ao quarto centenário. |
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