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Fronteiras
Já há algum tempo um tema vem me perseguindo, e quanto mais tento entendê-lo mais dúvidas e questionamentos surgem. Em uma palavra, é fácil: “fronteiras”. Mas a diversidade de significados que ela abarca é algo que intriga e instiga – tenho certeza de que muita gente, com muito mais propriedade do que eu, já tentou destrinchar o assunto, mas quero apenas registrar algumas reflexões. Em princípio, encaro o tema como contraditório: ao mesmo tempo em que vivemos cercados, literalmente, por fronteiras físicas, culturais, sociais, econômicas, é nossa obrigação, até mesmo um imperativo, lutarmos para derrubar essas fronteiras e aproximar as diferenças (a maior riqueza e beleza da humanidade não está, exatamente, na diversidade?). Esse imperativo, porém, se impõe com maior força na atual situação em que me encontro: como prefeito, como agente público, preciso olhar a cidade como algo orgânico que, por mais que as circunstâncias criem “fronteiras” internas, é formada por um conjunto de atores que necessariamente precisam se interrelacionar. Não podemos, por exemplo, incentivar a concretização das fronteiras invisíveis dos nossos preconceitos na forma de condomínios fechados, murados, tal como ilhas estéreis que impõem fronteiras físicas e alimentam a segregação – dependendo do lado que se esteja, a fronteira é a que demarca o exílio, a exclusão, dentro da própria comunidade. A contradição maior é constatada quando notamos que algumas fronteiras são absolutamente necessárias para a manutenção de uma ordem mínima de civilidade, mas o instinto nos impele à transgressão e ruptura dessas fronteiras, seja mesmo pela articulação entre distanciamentos e semelhanças, diferenças e conexões, tanto físicas (geográficas, espaciais) quanto subjetivas (culturais, sociológicas etc.). É interessante notar como “cidades de fronteira”, ao subverter e transgredir a própria fronteira, permite o intercâmbio com “o outro” e alimenta a troca de experiências, vivências, costumes, enriquecendo ambos os lados – são espaços por excelência de troca e de encontro. Ao permitir, no entanto, a proliferação de condomínios de ricos e pobres, a partir da construção de fronteiras físicas que distanciam, somos no mínimo coniventes com um processo que nos desumaniza, e desumaniza e empobrece a sociedade como um todo. O individualismo se materializa de maneira forte e triste, e as fronteiras revelam não apenas a separação por muros, mas por preconceitos, falta de cultura de paz, demonstração de poder, medo do outro, medo da violência, medos e mais medos, muitos sem explicação. Da mesma maneira, e partindo do mesmo princípio, os próprios municípios precisam se perceber como órgãos de um corpo maior e, sem desprezar as diferenças e contrastes (pelo contrário, valorizá-los), pensar conjuntamente o planejamento de inevitáveis conurbações. Muito provavelmente, as respostas existem. Talvez, mesmo, o que precisemos seja mudar as perguntas… P.S.: sei da relevância e da extensão do tema. Este texto é apenas um registro de anotações e pensamentos esparsos, que pretendo desenvolver melhor daqui para a frente. |
Cultura além-fronteiras
Nós, aqui de Jacareí, temos o privilégio de contar com o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba, reconhecido por seu valor histórico e cultural. E a nossa Fundação Cultural tem se esmerado em ampliar e variar as opções e exposições, valorizando ainda mais esse espaço único. Agora, o MAV passa a abrigar mais uma exposição de porte, contando com artistas nacionais de obras também de artistas de Portugal, França, Itália e Finlândia. Essa exposição é mais do que ilustrativa em um aspecto: a cultura e as artes são, por excelência, formas de integração entre os povos. Ao se utilizar de linguagens visuais e, muitas vezes, não-convencionais, as artes extrapolam fronteiras e se fazem entender por quaisquer povos. Esta é, assim, uma maneira de o MAV proporcionar aos visitantes uma viagem além-fronteiras, mas ao mesmo tempo permitir um diálogo entre a nossa própria história e nossos artistas locais com expressões e visões de outras partes do mundo, o que nos enriquece a todos. Incentivar essas manifestações é valorizar a multiculturalidade, e este é um dever que assumimos publicamente.
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Fapija, 27 anos
Completando 27 anos, a Fapija mostra, mais uma vez, que Jacareí tem uma prova inconteste de que a feira já se consolidou não apenas no calendário da cidade, mas de todo o país. A Fapija é um dos maiores eventos agropecuários do Brasil, e os números comprovam isso. Para a cidade, a Fapija serve como um a vitrine: são esperados mais de 500 mil visitantes, movimentando cerca de R$ 20 milhões em negócios. Para os empresários e produtores do setor agropecuário, é uma importante oportunidade para conhecer novas técnicas e equipamentos, além dos negócios firmados aqui. E, para a população em geral, de Jacareí e de muitas cidades vizinhas, é um espaço de lazer como poucos. Toda essa organização merece os melhores aplausos. Os méritos são do Sindicato Rural de Jacareí, mas a prefeitura também está presente aqui e sempre apoiou a feira. Aproveito para convidar a todos a visitarem o estande da prefeitura e conhecer, além dos mais variados serviços oferecidos pelas secretarias, o maior projeto de saneamento da história da cidade, a despoluição do Córrego do Turi. Preparamos uma maquete especial que vai mostrar, em detalhes, como será a obra, que vai elevar de 20% para 70% o índice de tratamento de esgoto na cidade. Assim como a Fapija, que se consolidou e cresce a cada ano, Jacareí mostra que também cresce e, junto com toda a população, tem muito a contribuir com a economia do país. O agronegócio movimenta bilhões anualmente no país, e a Fapija – como uma das mais importantes feiras do setor – tem sua parcela dessa movimentação. E, claro, além dos negócios e da movimentação financeira, é mais uma opção de lazer para os moradores de Jacareí e para os milhares de visitantes que temos o prazer de receber de braços abertos. |
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