Estrada Real: um rico passeio

Tiradentes, Mariana e Ouro Preto são apenas algumas cidades históricas do Ciclo do Ouro, e tive a grata oportunidade de visitá-las há alguns dias junto com a Suzi, minha esposa. Ainda que tenha sido uma viagem mais curta do que desejávamos e que o roteiro merecia, não posso deixar de registrar e compartilhar um pouco do que pudemos ver: história, cultura, arquitetura, natureza, entre outros aspectos, compõem harmonicamente um roteiro riquíssimo, que vale a pena visitar. O termo “riquíssimo” não é à toa: na segunda metade do século 17, antigas e toscas picadas abertas por índios e bandeirantes começaram a se transformar e ganharam um movimento absurdo para a época, tornando-se rota obrigatória para o escoamento de uma riqueza extraordinária descoberta nas Minas Gerais. Nascia a chamada Estrada Real, ou Caminho do Ouro.

Se, naquela época, os diamantes e ouro explorados pelos portugueses fizeram a fortuna da Corte Real, hoje tenho a certeza de que o que ficou é de uma riqueza enorme, de um valor inestimável. Em primeiro lugar, confesso que fiquei impressionado com o que encontrei ao longo do caminho: a bela paisagem, exuberante, mostra como Deus foi pródigo em belezas naturais na região. Ainda que as agressões a essas belezas tenham se multiplicado ao longo dos anos – séculos? –, a infinidade de atrações mostra um potencial enorme que vem sendo explorado pelo chamado “turismo de aventura” – este, graças a Deus, feito de maneira razoavelmente sustentável.

Conta-se que as primeiras picadas que deram origem ao Caminho do Ouro começaram a ser abertas muito antes da chegada dos primeiros portugueses. Os índios goianás de Taba-etê (nossa vizinha Taubaté) acreditavam que as areias de Paraty tinham efeito medicinal e, para tratar da saúde, abriram as primeiras trilhas rumo ao litoral sul do Rio de Janeiro. A elas se uniram as rotas traçadas pelos bandeirantes que, partindo de São Paulo, corriam para o interior do País em busca das riquezas. Os contornos de estrada vieram depois de 1694, com a descoberta do ouro na região de Vila Rica, o berço da Inconfidência Mineira que passou a se chamar Ouro Preto.

No trajeto, chama a atenção a quantidade de pequenas cidades, uma após a outra, sempre reforçando uma característica marcante do povo mineiro: a hospitalidade e aquele jeitinho bastante especial. Possivelmente, cada cidadezinha é herança dos pequenos pousos que as tropas de mulas faziam no trajeto de Ouro Preto ao porto de Paraty – a Estrada Real tem mais de 1.000 quilômetros, passando por 177 cidades de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro.

(Nosso passeio foi mais modesto, e fizemos cerca de 600 quilômetros. Ainda assim, outra surpresa: em todo o trajeto, apenas um pedágio. É sintomático que tenha sido na via Dutra, em São Paulo, onde o governo do PSDB e suas concessões conseguiram multiplicar o número de praças de pedágio de maneira escandalosa – desde 1998, quando começaram as concessões, foram inauguradas 112 praças de pedágio (média de uma a cada 40 dias), enquanto em todo o país foram 113…)

Mas, voltemos à Estrada Real. Saindo da Dutra, na altura de Cachoeira Paulista, seguimos em direção a Passa Quatro e participamos do casamento do meu primo Jairo — belíssima festa, com a cara do querido povo mineiro. No dia seguinte fomos a Tiradentes e, na sequência, a Ouro Preto. Por este caminho é preciso passar por Ouro Branco, e a impressão que tivemos é a de que todos que por lá passam perguntam sobre o caminho de Ouro Preto, deixando Ouro Branco apenas como passagem e perdendo muito do que a cidade oferece do ponto de vista turístico – mais um exemplo das “pequenas riquezas” espalhadas pela Estrada Real e que merecem uma atenção e divulgação maiores. Ao longo do caminho, além das belas paisagens, as estradas estão ótimas e ainda com obras em vários trechos. Mas seguimos para Ouro Preto, chegando ao hotel exatamente às 14h24 – fomos correndo assistir ao jogo do Brasil e Chile.

No dia seguinte, com um guia turístico, conhecemos toda a cidade de Ouro Preto e também a cidade de Mariana. É fundamental ter um guia para conseguir conhecer estas cidades num espaço pequeno de tempo, especialmente as principais igrejas, as obras de Aleijadinho, de seu pai e do Mestre Ataíde. A cidade de Mariana também se destaca por sua história e por manter uma praça com Igreja, Pelourinho, a Câmara e Casa de Cadeia. Esse espaço marca o período da escravidão de forma clara e é uma maneira de não esquecermos de como tratamos nossos irmãos negros.

A cidade de Ouro Preto é para deixar qualquer um impressionado: a arquitetura barroca das igrejas, as obras do Aleijadinho, as belas pinturas feitas nos tetos da Igreja, a maioria do Mestre Ataíde, as casas e ruas que marcam a história desta importante cidade brasileira devem ser motivo de orgulho de todos nós. A igreja do Pilar é a principal obra da cidade, pela quantidade de ouro em seu interior e por um dos acervos mais representativos do período barroco. Em segundo, destaco a igreja de São Francisco de Assis, pela pintura no teto do Mestre Ataíde.

É muito difícil descrever as emoções que este passeio proporciona, mas posso afirmar que vale muito ter contato com a história dessas cidades nos mais variados aspectos: desde o que se refere à exploração por nós sofrida pelos portugueses à riqueza das obras barrocas, tudo marcado pela força da religião católica naquele período, suas motivações e ligações com a Corte Portuguesa. Tudo, somado, creio que não haja outra região que concentre tantos exemplares em matéria de obras, construções e riqueza arquitetônica, principalmente se considerarmos quase tudo foi construído durante o século XVIII, sem dispor de modernas técnicas construtivas. A Estrada Real concentra, sem dúvida, um potencial gigantesco ainda a ser explorado – é impossível fazer um breve relato como esse sem repetir o termo “riqueza”, que remete ao ouro do passado, antes concentrado em poucas mãos, mas ao mesmo tempo ilustra o quanto existe de belo e diverso a ser explorado e compartilhado por todos nós, nos mais variados segmentos: turístico, histórico, cultural, religioso, ecológico, gastronômico, rural, de negócios e de aventura.

Construção do conhecimento

“Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas.” A citação, atribuída ao poeta gaúcho Mário Quintana, é de uma simplicidade que contrasta com a profundidade e riqueza que abarca. Construir uma cidade, uma sociedade mais justa e mais humana depende, em primeiro lugar, de garantir às pessoas o acesso ao conhecimento – quanto mais bem informados, quanto maior for o repertório intelectual, maior será a capacidade de julgamento e de ação de cada um de nós. Isso de traduz em uma palavra: cidadania.

Cabe ao poder público ordenar todos os seus esforços nesse sentido, garantindo oportunidades para todos. E cabe a cada um exercer esse direito, e se apropriar dos equipamentos públicos e das tecnologias disponíveis. O simples acesso à informação e às oportunidades, porém, depende ainda de ferramentas e de técnicas para poder se transformar em conhecimento e, assim, no poder de transformação das pessoas – e da sociedade.

Quando falamos em acesso à tecnologia, logo vêm à mente o acesso aos computadores e à internet. Jacareí vem promovendo um esforço contínuo para equipar as escolas da rede municipal com salas de informática – somente este mês, cinco escolas estão recebendo os equipamentos, integrando o programa Proinfo, do Governo Federal, ou ainda em parceria com o Instituto Embraer. Nossa intenção é estender esses programas a toda a rede de ensino, bem como ampliar o programa Jacareí Digital, que permite o acesso wireless gratuito à internet por qualquer cidadão.

Esses equipamentos somam-se aos telecentros que Jacareí já disponibiliza à população. As novas gerações têm o privilégio de terem nascido e viverem num mundo inimaginável há poucos anos, e esse acesso às novas tecnologias ainda vai produzir transformações profundas nas próprias relações humanas. É mais do que fundamental, portanto, reafirmar a necessidade de garantir a participação de todos nesse processo de transformação (vale lembrar que está em discussão no Congresso a lei que regulamenta as lan houses: muito mais, e muito além do que modernas casas de jogos, precisam ser vistas dentro desse processo. “Lan houses são os campinhos de várzea da cultura digital”, como afirmou Cláudio Prado, presidente do Laboratório Brasileiro de Cultura Digital).

Capacitar todos a essas novas tecnologias não exclui, de modo algum, o acesso a outras tecnologias. Refiro-me, novamente, aos livros – que são, na verdade, uma tecnologia tão ou mais revolucionária do que as que conhecemos hoje: eles se tornaram populares e acessíveis, tal como são cada vez mais populares e acessíveis o computador, os celulares, a internet…

Nesta sexta-feira, Jacareí ganha mais um moderno e amplo espaço de lazer e cultura, a nova Biblioteca Municipal Macedo Soares, ao lado do Parque dos Eucaliptos. Instalada em uma área de mais de 900 metros quadrados, foi pensada e construída considerando-se a garantia da acessibilidade de pessoas com deficiência. As tecnologias se reencontram na Biblioteca: ao lado do acervo de mais de 52 mil livros, além de cerca de 600 volumes em Braille, a Biblioteca conta com sala de informática com acesso à internet, salão de exposições e salas para oficinas de arte e de encadernação e restauro.

Esperamos que os atuais 5.000 sócios se multipliquem e se apropriem desse novo espaço. Incentivar a leitura é incentivar todos a darem os primeiros passos na descoberta do mundo do conhecimento. E formar cidadãos conscientes e capazes de mudarem o mundo – para melhor.


Este artigo foi publicado no jornal OVale, 29/4/2010

Cultura além-fronteiras

Nós, aqui de Jacareí, temos o privilégio de contar com o Museu de Antropologia do Vale do Paraíba, reconhecido por seu valor histórico e cultural. E a nossa Fundação Cultural tem se esmerado em ampliar e variar as opções e exposições, valorizando ainda mais esse espaço único.

Agora, o MAV passa a abrigar mais uma exposição de porte, contando com artistas nacionais de obras também de artistas de Portugal, França, Itália e Finlândia. Essa exposição é mais do que ilustrativa em um aspecto: a cultura e as artes são, por excelência, formas de integração entre os povos. Ao se utilizar de linguagens visuais e, muitas vezes, não-convencionais, as artes extrapolam fronteiras e se fazem entender por quaisquer povos.
Abrir as portas do Museu ao público de Jacareí e de outras cidades é, para nós, motivo de orgulho – é fazer de um espaço público um espaço realmente democrático, aberto à divulgação da cultura nos mais diversos gêneros, etnias e tendências estéticas.

Esta é, assim, uma maneira de o MAV proporcionar aos visitantes uma viagem além-fronteiras, mas ao mesmo tempo permitir um diálogo entre a nossa própria história e nossos artistas locais com expressões e visões de outras partes do mundo, o que nos enriquece a todos. Incentivar essas manifestações é valorizar a multiculturalidade, e este é um dever que assumimos publicamente.


Serviço – Exposição de arte contemporânea MundoMav de 6 de julho a 6 de agosto.
Local: Museu de Antropologia do Vale do Paraíba - Rua XV de Novembro, 143, centro. Tel. (12) 3953-3574.
Aberto das 9h às 16h45, de terça a domingo.
Visitas noturnas (escolas, empresas, instituições) podem ser agendadas.

Músicas de Natal

Jacareí tem como uma de suas características a diversidade cultural. Já escrevi sobre isso algumas vezes. Acredito que por meio das manifestações culturais conseguimos manter vivas as nossas tradições, resgatar a nossa história, além de ser uma oportunidade para os artistas de nossa cidade.

Com tantos talentos, esse final de ano está repleto de opções, com muitos eventos gratuitos pela cidade. A praça Raul Chaves, por exemplo, está sendo palco para vários shows. Mas eu irei focar hoje na Orquestra Sinfônica Jovem porque em julho escrevi sobre esses jovens músicos da nossa cidade. Falei sobre as vezes que tive a oportunidade de vê-los, e disse que no Natal o grupo faz um repertório especial. Como chegou a época das apresentações aqui está a dica para o final de semana.

A Camerata da Orquestra, que traz no repertório músicas natalinas, começa amanhã (20), às 10h, no Mercado Municipal, e depois segue para praça do Rosário, às 11h. Já durante a próxima semana, os músicos irão se apresentar nos dias 22 e 23, às 18h, na praça Conde de Frontin e, às 19h, na praça do Rosário. E para finalizar a série de shows da Orquestra, na terça-feira (23) acontece o Natal em Canto, às 21h, na praça Raul Chaves. Durante a apresentação será executado diversos temas, variando entre clássico, erudito, jazz, MPB, temas de cinema.

Eventos culturais em Jacareí

Já escrevi uma vez que Jacareí tem muito do que se orgulhar. A diversidade cultural da nossa cidade é um dos motivos para isso. Fico feliz em ver os jacareienses participando dos eventos e lotando a Sala Mário Lago.

Apresentações de teatro, cinema e música garantem a diversão e o acesso à cultura dos moradores da nossa cidade. Por isso, aproveito que hoje é sexta-feira para reforçar a agenda do final de semana. As opções contemplam toda família.

Para os apreciadores de ópera, hoje (5) no Centro Educacional, Esportivo e Cultural (antigo Trianon) acontecerá, às 20h, o espetáculo Ópera La Bohème, de Giacomo Puccini.

Já no domingo (7), a diversão começa às 15h, na Sala Mário Lago, com a apresentação “Música para Brincadeira de Roda – A Brincadeira Continua”. E às 20h, também na Sala Mário Lago, acontece o espetáculo “Caixa de Assovios – A poética das flautas”.

Quem gosta de música sertaneja e música de raiz também não pode deixar de conferir o projeto Manhã Cultural, que ocorre todo sábado, a partir das 9h, em frente à Fundação Cultural, na praça Raul Chaves.

Durante a semana há ainda outra opção na Sala Mário Lago. Toda quinta-feira, o espaço é aberto para o “Cinema de 5ª.”, iniciativa do Cineclube Jacareí em parceria com a Fundação Cultural, apresentar películas de terror, alguns no estilo “trash”.

Lembrando que o Centro Educacional, Esportivo e Cultural fica na rua Alfredo Schurig, 20 - centro e a Sala Mário Lago no Pátio dos Trilhos.

José Saramago no Brasil

Na semana passada o assunto cultural postado foi a obra de José Saramago “Ensaio sobre a cegueira”. Hoje vou dedicar mais um post ao escritor do qual gosto muito. Saramago está no Brasil, veio lançar o seu novo livro “A Viagem do Elefante” no Rio de Janeiro e em São Paulo. Os ingressos já estavam esgotados mesmo antes do evento, retratando como o escritor é querido e esperado por aqui. Mas quem gosta dele e não teve o privilégio de vê-lo pessoalmente, poderá conferir a partir de hoje (28/11) a exposição “A Consistência dos Sonhos” em São Paulo. A mostra trata da vida e obra do autor com mais de 500 documentos originais, entre poesias, manuscritos e alguns artigos na íntegra, além de fotografias e exemplares de edições.

Essa exposição já esteve em Lanzarote, Ilhas Canárias, onde Saramago e a mulher vivem desde 1992, e em Lisboa.

A exposição será inaugurada hoje às 20h no Instituto Tomie Ohtake e ficará no Brasil até o dia 15/02/2009. O Instituto fica na avenida Faria Lima, 201 – Pinheiros.  A entrada é gratuita.

Jovens talentos

Jacareí é uma cidade que tem muito do que se orgulhar. Nós temos uma diversidade cultural bem interessante e se tem algo que chama a minha atenção aqui na cidade é a apresentação da Sinfônica Jovem.

Durante esses anos pude apreciar esse espetáculo várias vezes e percebo como esses jovens músicos encantam as pessoas que os assistem. A orquestra pode ser assistida em diversos eventos durante o ano e até mesmo em concertos oficiais. Na época do Natal sempre tem uma apresentação especial.

Além disso, é uma grande oportunidade para os jovens entre 11 e 21 anos fazerem a iniciação musical e se aprovados participam do curso e se integram a Orquestra Sinfônica.

Lembrando que a Fundação Cultural de Jacareí está com inscrições abertas até o dia 10 de julho para o processo seletivo da Sinfônica Jovem. Os interessados devem procurar a Diretoria de Cultura que fica na Praça Raul Chaves, 110 – Centro.

A Rosa do Povo

A dica de leitura de hoje é A Rosa do Povo, de Carlos Drummond de Andrade. Segundo a crítica, é uma das obras mais fortes e significativas do autor.

O livro foi escrito entre 1943 e 1945, na época da Segunda Guerra Mundial. Drummond, que sempre esteve atento a questões ideológicas e humanas, coloca em A Rosa do Povo a preocupação de ter uma ideologia, demonstra a sua indignação com a violência do mundo. Ao todo, são 55 poemas que estão repletos de simbologia, como o próprio título do livro. E um dos poemas que merece destaque, além de ser um dos mais comentados é: “A flor e a náusea”.

A Cidade do Sol

Hoje quero apresentar uma nova categoria do blog: Dica Cultural. A partir de agora toda sexta-feira vou compartilhar com vocês sugestões de livros, filmes, peças de teatro, enfim, boas opções para cultura e entretenimento.

A dica desta semana será de leitura, afinal, esse é um hábito que precisa ser cultivado. Aliás, acho muito interessante os pais que incentivam seus filhos desde pequenos a mergulharem no mundo da literatura. Isso ajuda no desenvolvimento da criatividade, estimula o aprendizado, além de melhorar a escrita.

E a correria do dia-a-dia não pode ser um empecilho para a leitura. É importante ter sempre um livro para poder se distrair e viajar com as histórias ali contidas.

Para quem ainda não leu A Cidade do Sol, de Khaled Hosseini, eu indico. O autor é o mesmo de O Caçador de Pipas, sucesso tanto no livro como no filme. Assim como em O Caçador de Pipas, o autor fala de diversidade étnica e um pouco mais dos costumes de sua terra natal, o Afeganistão. Desta vez, não são duas crianças, mas sim duas mulheres que vêem suas histórias misturadas e para uma terceira história surgir. Vale a pena ler.

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