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Estrada Real: um rico passeio
Tiradentes, Mariana e Ouro Preto são apenas algumas cidades históricas do Ciclo do Ouro, e tive a grata oportunidade de visitá-las há alguns dias junto com a Suzi, minha esposa. Ainda que tenha sido uma viagem mais curta do que desejávamos e que o roteiro merecia, não posso deixar de registrar e compartilhar um pouco do que pudemos ver: história, cultura, arquitetura, natureza, entre outros aspectos, compõem harmonicamente um roteiro riquíssimo, que vale a pena visitar. O termo “riquíssimo” não é à toa: na segunda metade do século 17, antigas e toscas picadas abertas por índios e bandeirantes começaram a se transformar e ganharam um movimento absurdo para a época, tornando-se rota obrigatória para o escoamento de uma riqueza extraordinária descoberta nas Minas Gerais. Nascia a chamada Estrada Real, ou Caminho do Ouro. Se, naquela época, os diamantes e ouro explorados pelos portugueses fizeram a fortuna da Corte Real, hoje tenho a certeza de que o que ficou é de uma riqueza enorme, de um valor inestimável. Em primeiro lugar, confesso que fiquei impressionado com o que encontrei ao longo do caminho: a bela paisagem, exuberante, mostra como Deus foi pródigo em belezas naturais na região. Ainda que as agressões a essas belezas tenham se multiplicado ao longo dos anos – séculos? –, a infinidade de atrações mostra um potencial enorme que vem sendo explorado pelo chamado “turismo de aventura” – este, graças a Deus, feito de maneira razoavelmente sustentável. Conta-se que as primeiras picadas que deram origem ao Caminho do Ouro começaram a ser abertas muito antes da chegada dos primeiros portugueses. Os índios goianás de Taba-etê (nossa vizinha Taubaté) acreditavam que as areias de Paraty tinham efeito medicinal e, para tratar da saúde, abriram as primeiras trilhas rumo ao litoral sul do Rio de Janeiro. A elas se uniram as rotas traçadas pelos bandeirantes que, partindo de São Paulo, corriam para o interior do País em busca das riquezas. Os contornos de estrada vieram depois de 1694, com a descoberta do ouro na região de Vila Rica, o berço da Inconfidência Mineira que passou a se chamar Ouro Preto. No trajeto, chama a atenção a quantidade de pequenas cidades, uma após a outra, sempre reforçando uma característica marcante do povo mineiro: a hospitalidade e aquele jeitinho bastante especial. Possivelmente, cada cidadezinha é herança dos pequenos pousos que as tropas de mulas faziam no trajeto de Ouro Preto ao porto de Paraty – a Estrada Real tem mais de 1.000 quilômetros, passando por 177 cidades de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. (Nosso passeio foi mais modesto, e fizemos cerca de 600 quilômetros. Ainda assim, outra surpresa: em todo o trajeto, apenas um pedágio. É sintomático que tenha sido na via Dutra, em São Paulo, onde o governo do PSDB e suas concessões conseguiram multiplicar o número de praças de pedágio de maneira escandalosa – desde 1998, quando começaram as concessões, foram inauguradas 112 praças de pedágio (média de uma a cada 40 dias), enquanto em todo o país foram 113…) Mas, voltemos à Estrada Real. Saindo da Dutra, na altura de Cachoeira Paulista, seguimos em direção a Passa Quatro e participamos do casamento do meu primo Jairo — belíssima festa, com a cara do querido povo mineiro. No dia seguinte fomos a Tiradentes e, na sequência, a Ouro Preto. Por este caminho é preciso passar por Ouro Branco, e a impressão que tivemos é a de que todos que por lá passam perguntam sobre o caminho de Ouro Preto, deixando Ouro Branco apenas como passagem e perdendo muito do que a cidade oferece do ponto de vista turístico – mais um exemplo das “pequenas riquezas” espalhadas pela Estrada Real e que merecem uma atenção e divulgação maiores. Ao longo do caminho, além das belas paisagens, as estradas estão ótimas e ainda com obras em vários trechos. Mas seguimos para Ouro Preto, chegando ao hotel exatamente às 14h24 – fomos correndo assistir ao jogo do Brasil e Chile. No dia seguinte, com um guia turístico, conhecemos toda a cidade de Ouro Preto e também a cidade de Mariana. É fundamental ter um guia para conseguir conhecer estas cidades num espaço pequeno de tempo, especialmente as principais igrejas, as obras de Aleijadinho, de seu pai e do Mestre Ataíde. A cidade de Mariana também se destaca por sua história e por manter uma praça com Igreja, Pelourinho, a Câmara e Casa de Cadeia. Esse espaço marca o período da escravidão de forma clara e é uma maneira de não esquecermos de como tratamos nossos irmãos negros. A cidade de Ouro Preto é para deixar qualquer um impressionado: a arquitetura barroca das igrejas, as obras do Aleijadinho, as belas pinturas feitas nos tetos da Igreja, a maioria do Mestre Ataíde, as casas e ruas que marcam a história desta importante cidade brasileira devem ser motivo de orgulho de todos nós. A igreja do Pilar é a principal obra da cidade, pela quantidade de ouro em seu interior e por um dos acervos mais representativos do período barroco. Em segundo, destaco a igreja de São Francisco de Assis, pela pintura no teto do Mestre Ataíde. É muito difícil descrever as emoções que este passeio proporciona, mas posso afirmar que vale muito ter contato com a história dessas cidades nos mais variados aspectos: desde o que se refere à exploração por nós sofrida pelos portugueses à riqueza das obras barrocas, tudo marcado pela força da religião católica naquele período, suas motivações e ligações com a Corte Portuguesa. Tudo, somado, creio que não haja outra região que concentre tantos exemplares em matéria de obras, construções e riqueza arquitetônica, principalmente se considerarmos quase tudo foi construído durante o século XVIII, sem dispor de modernas técnicas construtivas. A Estrada Real concentra, sem dúvida, um potencial gigantesco ainda a ser explorado – é impossível fazer um breve relato como esse sem repetir o termo “riqueza”, que remete ao ouro do passado, antes concentrado em poucas mãos, mas ao mesmo tempo ilustra o quanto existe de belo e diverso a ser explorado e compartilhado por todos nós, nos mais variados segmentos: turístico, histórico, cultural, religioso, ecológico, gastronômico, rural, de negócios e de aventura. |
Cuidando da própria casa
Se o século XX será lembrado como um marco na industrialização e na economia de mercado que, se bens trouxeram, foram fomentadas por uma devastação extrema dos recursos naturais e em uma nunca vista concentração de poder e capital, temos um desafio urgente para este século XXI: tentar, pelo menos, minimizar esses efeitos danosos já herdados e propiciar uma distribuição mais justa dos bens, a partir de exploração e manejos mais adequados dos recursos naturais. A ação predatória, e até promíscua, do meio ambiente acendeu alarmes apocalípticos em todos os setores da sociedade. Em que pesem os danos irreversíveis, ainda há tempo de nos movermos e agirmos para recuperar o que é possível e preservar riquezas naturais imprescindíveis à nossa própria sobrevivência. Aliar compromissos éticos a um senso estético – no mais amplo sentido – torna-se urgente: corremos o risco de condenar as futuras gerações e sacrificar patrimônios universais, como a biodiversidade, se não nos conscientizarmos e agirmos aqui, e agora. Uma simples consulta ao dicionário nos mostra que o termo “economia” tem, em primeiro sentido, o “gerenciamento de uma casa, especialmente das despesas domésticas; ciência que estuda os fenômenos relacionados com a obtenção e a utilização dos recursos materiais necessários ao bem-estar; aproveitamento racional e eficiente de recursos materiais”, completando, em sentido poético, sobre a “disposição, ordem, arranjo, de um discurso, de um poema”. Sintomático que o termo “ecologia” só venha a surgir no início do século XX. A partir da mesma raiz grega, “oîkos” (“casa”), amplia o conceito original do ambiente “doméstico” para “as relações das comunidades humanas com o meio ambiente”, e as “relações recíprocas entre o homem e seu meio moral, social, econômico”. Economia e ecologia, portanto, não são, em nenhum momento, excludentes. O desenvolvimento e o progresso, quase sempre vistos como um tanto predatórios, têm, fundamentalmente, os mesmos princípios. E se temos no dia 5 de junho uma data simbólica, do Dia Mundial do Meio Ambiente, temos a oportunidade de refletir sobre o que, efetivamente, estamos fazendo para conjugar esses princípios. Jacareí preparou uma extensa programação com este objetivo. Realizamos a Semana do Meio Ambiente de Jacareí com uma série de eventos que vão desde dinâmicas com crianças a roteiros turísticos – incluindo o Viveiro Municipal e as obras do projeto Turi Limpo (que vai elevar o índice de tratamento de esgotos da cidade de 20% para 70%) – passando por uma integração com áreas verdes como o Parque da Cidade, com oficinas de yoga, tai chi chuan e origami, além de palestras e discussões técnicas versando sobre políticas de resíduos sólidos e saneamento, entre outras. No Parque da Cidade, um grupo de plantão poderá tirar dúvidas sobre a gestão e reciclagem do plástico, resíduos eletrônicos e óleo, em parceria com o Ciesp. A Secretaria Municipal de Meio Ambiente também estará expondo trabalhos de educação ambiental e plantas medicinais, realizados com as crianças da rede municipal de ensino. A questão educacional, aqui, ganha valor preponderante: ao mesmo tempo em que, a partir de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) com empresas como a Fibria, exigimos a ampliação dos programas de educação ambiental envolvendo as crianças do ensino fundamental, temos perspectivas concretas de ampliar a qualificação e formação profissional dos mais jovens, com investimentos e parcerias como a ampliação do Senai de Jacareí e a vinda da Escola Técnica Federal. Em todos os níveis, a educação se faz presente e a partir de parcerias com entidades as mais diversas e o Governo Federal. É a base para aliarmos o desenvolvimento econômico ao cuidado com a nossa própria casa. Nossa moderna Lei de Incentivos Fiscais, que certamente atrairá empreendimentos de porte para Jacareí, de nada valeria se não fosse baseada nesses fundamentos básicos. Jacareí tem se mostrado na vanguarda no tratamento de resíduos sólidos. Tem, em mãos, uma legislação atraente para novos investimentos. Tem, principalmente, investido mais do que nunca em educação, em todos os níveis. São fatores fundamentais que nos permitem falar em “economia” e “ecologia” em sintonia, proporcionando um modelo de desenvolvimento sustentável – a partir da nossa própria “casa”. [Artigo publicado no jornal O Vale, 8/7/2010] |
Jacareí e a política nacional de resíduos sólidos
Há pouco mais de uma semana, o Congresso Nacional foi palco de uma significativa e importante conquista para o Brasil: com a aprovação da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o país finalmente se sintoniza com uma demanda crescente, em âmbito mundial, e que passa a ser tratada com a atenção que merece – e necessita. Ainda que as discussões, rejeições, reavaliações e modificações tenham se arrastado por longos 19 anos (e que ainda dependam da aprovação final por parte do Senado), a PNRS merece aplausos, já que chegou ao formato final contemplando a mais moderna abordagem relativa aos resíduos sólidos. É válido contextualizar algumas circunstâncias que permeiam essa conquista: além da própria terminologia, que diferencia “lixo” (basicamente, lixo orgânico, que tem como destino o aterro sanitário) de “resíduos” (o que resta do processo de produção e consumo, e que pode ser reaproveitado), vivemos hoje em uma sociedade eminentemente urbana, cercada por apelos consumistas e com produtos e serviços que alimentados pela descartabilidade. O conjunto desses fatores, entre outros, propiciou um incremento nunca antes visto na geração de resíduos sólidos, e que só cresce exponencialmente. No bojo na PNRS, uma série de conceitos antes restritos ao meio acadêmico ou ambientalista ganha popularidade: responsabilidade compartilhada, gestão integrada, acordos setoriais, ciclo de vida do produto, disposição final ambientalmente adequada, não-geração, redução, reutilização, reciclagem… Um conceito, porém, merece atenção particular: a logística reversa (que, destaque-se, foi incluída na PNRS principalmente pela pressão popular a partir de ONGs e grupos coletivos anônimos ligados às questões ambientais). Bem além da reciclagem, por logística reversa entende-se o processo inverso de produção de resíduos, e em particular o lixo eletrônico, ou e-waste (aparelhos eletroeletrônicos, pilhas, lâmpadas fluorescentes etc.). São produtos potencialmente alvos da chamada “obsolescência programada”: têm vida útil curtíssima, e são repostos e consumidos na mesma velocidade dos avanços tecnológicos. (Este item, aliás, motivou um recente “puxão de orelhas” da ONU no Brasil que, seguido do México e da China, é o maior produtor per capita de resíduos eletrônicos entre os países emergentes, além de o país ser carente de dados e estudos sobre a situação da produção, reaproveitamento e reciclagem de eletrônicos, uma lacuna que a PNRS pode vir a preencher.) Em Jacareí, antecipamo-nos à PNRS e começamos 2010 com a entrada em operação da concessão da limpeza pública e resíduos sólidos. Fruto de uma parceria público-privada, o modelo da concessão adotado em Jacareí, inédito no país, está em perfeita sintonia com a PNRS, seja em termos operacionais, seja conceituais. No que se refere à logística reversa, a concessão em Jacareí determina a construção de um novo aterro sanitário, que contará com um novo conceito: será um centro de integrado de tratamento de resíduos sólidos, contemplando os variados tipos de produtos. Na mesma linha, a coleta seletiva será ampliada para toda a cidade, que ganhará anda novos LEVs (Locais de Entrega Voluntária) – e a Cooperativa Jacareí Recicla será integrada ao processo, ficando responsável pela triagem e reciclagem de resíduos. O próprio “horizonte” previsto pela PNRS vem comprovar o vanguardismo do modelo de Jacareí: a concessão aqui é válida por 20 anos, e o novo aterro terá vida útil de 25 anos, já considerando o aumento gradativo da população. Essas medidas, aliadas a várias outras, colocam Jacareí em situação privilegiada junto à PNRS: estados e municípios ficam obrigados a elaborar planos de gestão dos resíduos, sob pena de se verem impedidos de contrair novos empréstimos públicos ou ter acesso a recursos da União. São apenas alguns pontos de concordância entre a PNRS e o que já vem sendo implantado em Jacareí, mas coroam um processo iniciado em 2002, quando foi elaborado o Plano Municipal de Limpeza Urbana. Aliada a outras políticas nacionais, como de saneamento, de mudanças climáticas, de meio ambiente e de educação ambiental, a PNRS é um alento que promete desencadear transformações substantivas nos modos de produção e de consumo, além da própria relação entre o ser humano e o meio ambiente. São meios sustentáveis para a construção de uma Jacareí e de uma sociedade mais sustentáveis, baseados em sólidas diretrizes ambientais e socioeconômicas – resíduos, aqui, são sinônimo de alternativa de geração de renda, de empregos, de negócios e de sustentabilidade.
Este texto, em versão condensada, foi publicado no valeparaibano de 28/3
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Fapija, 27 anos
Completando 27 anos, a Fapija mostra, mais uma vez, que Jacareí tem uma prova inconteste de que a feira já se consolidou não apenas no calendário da cidade, mas de todo o país. A Fapija é um dos maiores eventos agropecuários do Brasil, e os números comprovam isso. Para a cidade, a Fapija serve como um a vitrine: são esperados mais de 500 mil visitantes, movimentando cerca de R$ 20 milhões em negócios. Para os empresários e produtores do setor agropecuário, é uma importante oportunidade para conhecer novas técnicas e equipamentos, além dos negócios firmados aqui. E, para a população em geral, de Jacareí e de muitas cidades vizinhas, é um espaço de lazer como poucos. Toda essa organização merece os melhores aplausos. Os méritos são do Sindicato Rural de Jacareí, mas a prefeitura também está presente aqui e sempre apoiou a feira. Aproveito para convidar a todos a visitarem o estande da prefeitura e conhecer, além dos mais variados serviços oferecidos pelas secretarias, o maior projeto de saneamento da história da cidade, a despoluição do Córrego do Turi. Preparamos uma maquete especial que vai mostrar, em detalhes, como será a obra, que vai elevar de 20% para 70% o índice de tratamento de esgoto na cidade. Assim como a Fapija, que se consolidou e cresce a cada ano, Jacareí mostra que também cresce e, junto com toda a população, tem muito a contribuir com a economia do país. O agronegócio movimenta bilhões anualmente no país, e a Fapija – como uma das mais importantes feiras do setor – tem sua parcela dessa movimentação. E, claro, além dos negócios e da movimentação financeira, é mais uma opção de lazer para os moradores de Jacareí e para os milhares de visitantes que temos o prazer de receber de braços abertos. |
Mais água para todos
Jacareí possui um dos melhores índices de abastecimento com água potável na região e no Estado. Praticamente a totalidade da população da área urbana – 99% dos moradores – conta com abastecimento. Hoje, porém, damos mais um importante passo para regularizar e melhorar ainda mais esse sistema. Com a adutora ETA (Estação de Tratamento de Água Central) –- Altos de Sant´Anna –- a maior adutora de água da cidade –, vamos regularizar o fornecimento de água para os moradores das partes mais altas da cidade, beneficiando diretamente cerca de 100 mil moradores. São moradores de bairros que, devido à topografia da região, ainda sofriam com irregularidades no abastecimento, como o Jardim Santa Maria e Avareí. Também serão beneficiadas as regiões do Jardim das Indústrias, Jardim Califórnia, Parque Califórnia, Vila Branca, Rio Comprido, Altos de Sant´Anna, Jardim Paraíso, Cidade Salvador, Parque dos Príncipes e Vila Zezé. Todo esse sistema se tornou possível quando, ainda no governo do Marco Aurélio, o nosso saudoso Davi Lino deu início ao projeto, com a adesão ao programa Pró-Saneamento, do Governo Federal. De um total de mais de R$ 7 milhões investidos em todo o projeto, cerca de R$ 2,7 milhões foram financiados pela Caixa Econômica Federal -– todo o restante, ou cerca de R$ 4,4 milhões, foram investimentos diretos do SAAE. Mas é importante salientar que, com os investimentos em infraestrutura, abastecimento e saneamento já realizados, a cidade ganha uma maior capacidade para atender a outras demandas. Ou seja: hoje Jacareí já está “pavimentada” e pronta para crescer ainda mais, e receber novos investimentos. A cidade cresce de maneira ordenada e planejada, o que significa melhorias na qualidade de vida de todos nós. |
Economia de “formiguinha”
Empreendedorismo é uma palavra que entrou na moda há anos anos e, ao que tudo indica, veio mesmo para ficar. E o Brasil sempre foi reconhecido como um país de empreendedores – seja pela criatividade inata do nosso povo, seja por necessidades pontuais de uma ou outra região. Ou, ainda, em épocas de crise, por uma questão de sobrevivência. Dados históricos apontam, no entanto, a maioria absoluta das micro e pequenas empresas não consegue sobreviver ao primeiro ano de vida. A falta de planejamento e de experiência de muita gente que decide por montar um negócio próprio é apontada como o principal motivo para essa “vida curta”. Iniciativas como as ações do Sebrae, como palestras e cursos, o incentivo crescente ao cooperativismo e as ações do Banco do Povo, simplificando e otimizando formas alternativas e/ou mais acessíveis de crédito, porém, parecem que estão revertendo esse quadro. É o que indica uma pesquisa recém-publicada, realizada pelo Sebrae/Global Entrepreneurship Monitor, que abrangeu nada menos que 43 países. Segundo a pesquisa, a sobrevida das pequenas empresas aumentou significativamente no Brasil: em 2001, 35% dos empreendedores tinham negócios abertos há até três anos e meio; em 2008, essa taxa aumentou para 76%. E mais: o Brasil aparece mesmo bem na foto — a taxa de empreendedorismo, que calcula o número de pequenos negócios abertos em relação à população, foi em média 76% maior que a de outros países. O Banco do Povo merece atenção especial nesse processo. A agência de Jacareí já se tornou referência para toda a região, sendo procurada por representantes de outras cidades para conhecer o funcionamento daqui, notoriamente um sucesso. Vejamos apenas alguns números: a unidade de Jacareí ficou em terceiro lugar no Estado de São Paulo em número de contratos realizados, pelo segundo ano consecutivo, com mais de 500 operações entre 2007 e 2008. Desde sua criação, mais de R$ 4 milhões já foram repassados em pequenos empréstimos. Resumindo: ao mesmo tempo em que as grandes empresas anunciam investimentos volumosos e ganham publicidade e visibilidade, as micro e pequenas empresas tem uma participação fundamental na economia da cidade – são estas, aliás, as maiores geradoras de empregos. Incentivar cada vez mais a criação e a manutenção desse setor da economia é, portanto, fundamental para o desenvolvimento não apenas de Jacareí, mas do estado de São Paulo e do Brasil. |
Futurologia
Há quem diga que analistas políticos são mestres em exercícios de futurologia – ainda que raramente as “previsões” se confirmem. Apoiados em pesquisas, porém, estes mesmos analistas exibem números e estatísticas que, bem (poucas vezes) ou mal (quase sempre), tentam elucidar o que se passa nos bastidores do poder. Nos últimos dias, alguns fatos deram combustível suficiente para que os analistas e colunistas dos mais variados veículos fizessem todo tipo de elucubrações – positivas ou negativas, dependendo de quem vê – sobre a sucessão do presidente Lula. Afinal, 2010 vem aí… Em primeiro lugar, a pesquisa do Instituto Sensus mostrando que, independentemente da crise econômica mundial e das manchetes de queda na produção industrial e nos consequentes cortes de vagas de trabalho, Lula se mantém intacto e anota recordes de popularidade e aprovação. O governo federal, segundo a pesquisa, atinge 72,5% de aprovação dos brasileiros, enquanto o desempenho pessoal de Lula chega a 84%! Com índices como esses, muitos já comemoram que as eleições de 2010 serão “barbada” (não é trocadilho: nada a ver com as barbas do presidente, por favor), e Lula elegeria quem quisesse. Mas, calma lá. Mesmo com todo o otimismo em relação ao Brasil diante da crise, o país sendo visto como um dos mais preparados para superá-la, ninguém pode prever realmente o que acontecerá. A administração da crise, e as medidas que o governo federal tomará, serão decisivas para a manutenção ou não desses índices positivos. Em terceiro lugar, a reeleição do deputado federal José Aníbal para a liderança do PSDB na Câmara evidencia como os tucanos estão “rachados”. Os principais nomes do PSDB para 2010 já deram mostras que há uma disputa intestina entre José Serra e Aécio Neves. Com a reeleição de Aníbal, Serra sai enfraquecido, acirrando as divergências entre os dois grupos tucanos. Juntando tudo, entre inúmeros outros fatores, poder-se-ia arriscar que Lula tem, sim, todas as prerrogativas favoráveis para eleger seu sucessor, ou sucessora. Mas, como diz um ditado, “a economia depende tanto dos economistas quanto o tempo dos meteorologistas”. E a política, dos analistas políticos, poderíamos acrescentar. |
“Oncotô, proncovô?”
Lembrei-me dessas expressões atribuídas aos meus conterrâneos mineiros, corruptelas de “onde é que eu estou?”, “pra onde é que eu vou?”, quando li uma reportagem do Clóvis Rossi, na Folha de S.Paulo de domingo. Ele escreveu direto de Davos, na Suíça, onde foi realizado o Fórum Econômico Mundial, e pincei algumas frases bastante ilustrativas que ele cita no artigo: Fica claro que a crise mundial deixou toda a elite econômica, governamental e empresarial do planeta totalmente desnorteada. Todo o artigo do Rossi segue nesse tom, pra lá de apocalíptico. Diz ele que “o fórum de Davos começou sob o ambicioso título geral de ‘Moldando o mundo pós-crise’. Termina hoje com a melancólica constatação” de que todo mundo está perdido. Ou seja: até que enfim os poderosos chegam à conclusão de que o modelo econômico que caracterizou principalmente o século XX está falido. E, sim, ainda há esperanças, nem que sejam aquelas típicas do mineirinho.
P.S.: o The Guardian fez uma lista com os 25 “culpados” pela crise mundial. É claro que não dá pra personificar tanto assim, mas é interessante ver os nomes que aparecem ali. São exatamente os desnorteados citados no artigo do Rossi. Só tem gente fina: Alan Greenspan, Bill Clinton, George W. Bush, executivos de bancos e seguradoras, grandes especuladores de Wall Street como George Soros e Warren Buffet, e até o povo americano… |
Outro mundo é possível (?)
Belém, a capital do Pará, se transforma a partir desta terça-feira na sede da sexta edição do Fórum Social Mundial. São esperados mais de 2.000 indígenas, do Brasil e de outros países – a questão dos índios, ribeirinhos e quilombolas deverá ter destaque este ano, privilegiando questões como a demarcação de terras e projetos econômicos que colocam em risco essas comunidades tradicionais. Na quinta-feira, o presidente Lula recebe, no Fórum, os colegas Evo Morales (Bolívia), Fernando Lugo (Paraguai), Rafael Correa (Equador) e Hugo Chávez (Venezuela). Naturalmente, espera-se que o foco principal do Fórum – os povos indígenas – seja ofuscado por discussões sobre a crise econômica mundial. É sintomático que os presidentes latino-americanos que se reunirão são representantes de um novo modelo político-administrativo, alternativo ao neoliberalismo, cada um à sua maneira. A forte atuação na área social tem referendado a esses presidentes, e em particular o presidente Lula, a chancela de novas lideranças emergentes no cenário político internacional. Refletir sobre a questão dos excluídos – relembremos os índios, ribeirinhos e quilombolas – é a eterna busca por justiça social. Refletir sobre os efeitos de um modelo econômico que privilegia o lucro fácil e exclui, ao invés de incluir socialmente, é tarefa cotidiana que devemos assumir. Do Fórum não se espera soluções prontas, imediatas. Mas, desde a primeira edição, em 2001, em Porto Alegre, o Fórum já se consolidou como um espaço privilegiado para a discussão de uma agenda comum que clame por justiça. Tenho fé, e preciso acreditar que, sim, “um outro mundo é possível”, seguindo o lema do Fórum. Essa construção coletiva começa, no entanto, aqui “em casa” — precisamos sempre ter em mente o “pensar globalmente, agir localmente”, o que pode e precisa ser feito por cada um de nós, a partir de pequenas ações. |
Atendimento rápido
Esta semana entraram em vigor as novas regras de atendimento para os call centers, os famosos atendimentos que as empresas disponibilizam por telefone. Essa é uma grande conquista para os consumidores, que, na maioria das vezes, esperavam muitos minutos para serem atendidos e não significava o fim do problema. “Pulando” de um atendente para outro e precisando repetir os dados, o consumidor ou desistia ou encerrava a ligação com o sentimento de perda de tempo. Com as novas regras, o consumidor deve ser atendido em até 1 minuto, não precisará mais repetir o problema e as reclamações devem ser resolvidas em 5 dias. Os cancelamentos de serviços têm que ser feitos imediatamente e as ligações são gratuitas, obrigatoriamente. Outra exigência é ter a opção de falar com um atendente. Além disso, o consumidor pode solicitar acesso ao conteúdo da gravação e ao histórico de atendimento e o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) deve estar disponível por 24 horas por dia e sete dias por semana. O primeiro passo foi dado e, após um previsível período de ajustes por parte das empresas, os Mais informações sobre as novas regras podem ser obtidas no site do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) |
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